sábado, 24 de novembro de 2007

Código dos Indígenas Americanos

[Extraído do Livro de Robert Wong: "O Sucesso está no Eqüilíbrio " ]

1- Levante com o Sol para orar. Ore sozinho. Ore com freqüência. O Grande Espírito o escutará se você, ao menos, falar.

2- Seja tolerante com aqueles que estão perdidos no caminho. A ignorância, o convencimento, a raiva, o ciúme e a avareza originam-se de uma alma perdida. Ore para que eles encontrem o caminho do Grande Espírito .

3- Procure conhecer-se, por si próprio. Não permita que outros façam seu caminho por você. É sua estrada e somente sua. Outros podem andar ao seu lado, mas ninguém pode andar por você.

4- Trate os convidados em seu lar com muita consideração. Sirva-os o melhor alimento, a melhor cama e trate-os com respeito e honra.

5-Não tome o que não é seu. Seja de uma pessoa, da comunidade, da natureza ou da cultura. Se não foi ganho nem foi dado, não é seu .

6- Respeite todas as coisas que foram colocadas sobre a Terra. Sejam elas pessoas, plantas ou animais.

7- Respeite os pensamentos, os desejos e as palavras das pessoas. Nunca interrompa os outros nem ridicularize, nem rudemente os imite. Permita a cada pessoa o direito de expressão pessoal.

8- Nunca fale dos outros de uma maneira má. A energia negativa que você coloca para fora, no Universo, voltará multiplicada a você.

9- Todos as pessoas cometem erros. E todos os erros podem ser perdoados.

10- Pensamentos maus causam doenças da mente, do corpo e do espírito. Pratique o otimismo.

11- A Natureza não é para nós, ela é parte de nós. Toda a natureza faz parte da nossa família Terrena.

12- As crianças são as sementes do nosso futuro. Plante amor nos seus corações e ágüe com sabedoria e lição de vida. Quando estiverem crescendo, dê-lhes espaço para que cresçam.

13- Evite machucar os corações das pessoas. O veneno da dor causada a outros, retornará a você.

14- Seja sincero e verdadeiro em todas as situações. A honestidade é o grande teste para a nossa herança do Universo.

15- Mantenha-se equilibrado.

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

O poder terapêutico do abraço

[De Jerome Liss e Meurizio Stupiggia, do livro "A Terapia Biossistêmica"]

Se considerarmos o abraço como uma forma universal de obtenção de contato profundo, físico e afetivo, poderemos usá-lo como um dos possíveis instrumentos de terapia. O gesto de alargar os braços é sinal universal de paz e fraternidade; é um gesto ligado à idéia do abrir-se, à sensação de ficar em contato mais íntimo com o próximo e de estar em disponibilidade para acolhê-lo.
Podemos pensar que tinha esse valor porque o primeiro movimento da criança que chora e se dirige à mãe é o de levantar os braços para ser tomado ao colo e, no abraço, têm fim tanto seu protesto quanto seu desespero pela ausência ou afastamento dela. Podemos nos lembrar também de que, abrindo os braços, sentimos uma sensação de liberação, um endireitamento da espinha dorsal, a possibilidade de que a cabeça e olhos se mantenham sustentados e sem tensões, certa expansão da respiração no ventre e no tórax. Se tudo isso ainda vem acompanhado de um contato caloroso, muscular e epidermicamente gratificante, podemos entender como esse gesto é fonte de felicidade e consegue fazer brilhar os olhos.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Não te amo

[João de Almeida Garret]


Não te amo, quero-te: o amar vem d'alma.

   E eu n'alma - tenho a calma,
   A calma - do jazigo.
   Ai! não te amo, não.
 

Não te amo, quero-te: o amor é vida.
   E a vida - nem sentida
   A trago eu já comigo.
   Ai, não te amo, não!
 

Ai! não te amo, não; e só te quero
   De um querer bruto e fero
   Que o sangue me devora,
   Não chega ao coração.

 
Não te amo. És bela; e eu não te amo, ó bela.
   Quem ama a aziaga estrela
   Que lhe luz na má hora
   Da sua perdição?
 

E quero-te, e não te amo, que é forçado,
   De mau feitiço azado
   Este indigno furor.
   Mas oh! não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto
   Que de mim tenho espanto,
   De ti medo e terror...
   Mas amar!... não te amo, não.
 

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

Benditas

[Composição: Zélia Duncan / Mart´nalia]

Benditas as coisas que não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Nos amores que nunca encontrei
Benditas as coisas que não sejam
Benditas

A vida é curta mas enquanto durar
Posso durante um minuto ou mais
Te beijar pra sempre
O amor não mente,
não mente jamais
E desconhece
no relógio o velho futuro
O tempo escorre num piscar de olhos
E dura muito além
dos nossos sonhos mais puros

Bom é não saber
O quanto a vida dura
Ou se estarei aqui
na primavera futura
Posso brincar de eternidade agora
Sem culpa / nenhuma

Benditas as coisas que não sei
Os lugares onde não fui
Os gostos que não provei
Meus verdes ainda não maduros
Os espaços que ainda procuro
Nos amores que nunca encontrei
Benditas as coisas que não sejam
Benditas

domingo, 7 de outubro de 2007

O Convite

[Oriah Moutain Dreamer]

Não me interessa como você ganha a vida. Eu quero saber aquilo pelo qual você anseia, saber se você ousa sonhar e ir ao encontro dos latejantes anseios do coração.

Não me interessa sua idade. Eu quero saber se você se arriscará a parecer um louco pelo amor, por seus sonhos, pela ventura de estar vivo.

Não me interessa que planetas estão em quadratura com sua lua. Eu quero saber se você tocou o centro de sua própria tristeza, se as traições da vida conseguiram abrir você ou se fez ainda mais escondido e fechado com medo de sentir mais dor! Eu quero saber se você pode se sentar com a dor, minha ou sua, sem se esforçar para escondê-la, diminuí-la ou consertá-la. Eu quero saber se você pode estar com a alegria, minha ou sua; se você pode dançar uma dança selvagem e deixar o êxtase preencher você desde a ponta dos pés e das mãos sem ficar nos alertando para sermos cuidadosos, realistas ou para nos lembrarmos das limitações de estar sendo humanos.

Não me interessa se a história que você está me contando é verdadeira. Eu quero saber se você pode desapontar alguém para ser verdadeiro consigo mesmo; se você agüenta a acusação de traição sem trair sua alma. Eu quero saber se você pode ser fiel e, portanto, confiável. Eu quero saber se você pode ver beleza mesmo se não estiver bonito todos os dias, e se você pode ancorar sua vida na beira do lago e gritar para o prateado da lua cheia.

Não me interessa saber onde você mora ou quanto dinheiro você tem. Eu quero saber se você pode acordar depois de uma noite de mágoa e desespero, exausto e ferido até os ossos, e fazer o que precisa ser feito para as crianças.

Não me interessa onde, o quê ou com quem você estudou. Eu quero saber o que te sustenta por dentro quando tudo o mais queda desfeito. Eu quero saber se você pode estar sozinho consigo mesmo e se você realmente aprecia sua companhia nos momentos de vazio.

[Na primavera de 1994 fui a uma festa e realmente me empenhei em ser sociável. Perguntei e respondi às questões de sempre: O que você faz? Como conheceu o anfitrião? Onde você estuda? Depois, voltei para casa como familiar sentimento de vazio, um buraco dentro de mim. Então me sentei e fiz o que muitas vezes faço para conectar com o que está me acontecendo – escrevi. Escrevi sobre as conversas na festa, o que realmente não me interessava e o que eu realmente queria saber sobre os outros, sobre mim mesma.Fui ao centro da dor em busca de algo mais entre eu e o mundo, e o poema-ensaio “O Convite” escorreu para o papel. Mandei o texto para algumas pessoas e de repente ele ganhou vida própria, começou a ser espalhado através de e-mails. Um agente literário sugeriu que o transformasse em um livro.Retirei-me para um chalé e escrevi sobre o que eu precisava lembrar, o que eu precisava ouvir de novo e sempre: que a vida é cheia de beleza e dor; que o mundo partirá seu coração e o curará muitas e muitas vezes, se você deixar. E que deixar que ele faça ambas as coisas é a única maneira de viver plenamente; que não estamos sozinhos, mas profundamente conectados com aquilo que cria e sustenta toda a vida.]

sábado, 6 de outubro de 2007

A sombra

Eu estava como alguém que aguarda, em constante expectativa, por um olhar, por uma palavra, por uma fração de segundo, que desse sentido a esse esquete...

então a fração de segundo tornou-se um infinito...

de possibilidades

de incertezas

de sentimentos

de insights

de turbilhões

de consciência

de inconsciência

de sombras

de luz...

luz azul!


E agora...

eu estou um mísero pontinho de energia condensada
largada num todo

incomensurável

sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho para sempre

[Rubem Alves]

Assim acontece com a gente.As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo, fica do mesmo jeito a vida inteira. São pessoas de uma mesmice e uma dureza assombrosa. Só que elas não percebem e acham que seu jeito de ser é o melhor jeito de ser. Mas, de repente, vem o fogo.O fogo é quando a vida nos lança numa situação que nunca imaginamos: a dor. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, o pai, a mãe, perder emprego ou ficar pobre. Pode ser fogo de dentro: pânico, MEDO, ansiedade, depressão ou sofrimento, cujas causas ignoramos. Há sempre o recurso do remédio: apagar o fogo!

Sem fogo o sofrimento diminui. Com isso, a possibilidade da grande transformação também. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro cada vez mais quente, pensa que sua hora chegou: vai morrer. Dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar um destino diferente para si. Não pode imaginar a transformação que está sendo preparada para ela. A pipoca não imagina aquilo de que ela é capaz. Aí, sem aviso prévio, pelo poder do fogo a grande transformação acontece: BUM!

E ela aparece como uma outra coisa completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado. Bom, mas ainda temos o piruá, que é o milho de pipoca que se recusa a estourar. São como aquelas pessoas que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem. A presunção e o medo são a dura casca do milho que não estoura.

No entanto, o destino delas é triste, já que ficarão duras a vida inteira. Não vão se transformar na flor branca, macia e nutritiva. Não vão dar alegria para ninguém.
Eu sou pipoca, e você?

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Despedida

Quando não há mais nada a ser feito, a gente sente que poderia ter feito muito.

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Telefone sem fio



Não, não estou falando de celular... “bluetooth”, “wireless”... nada disso.Estou falando da pífia comunicação que se estabelece a cada dia entre as pessoas, apesar de todos os aparatos tecnológicos de que dispomos. De que adianta termos tantos recursos, se o nosso verbo ainda é peneirado por nossos maiores algozes?A ponte que deveria ligar o verbo ao coração é uma das grandes obras que ainda não foi terminada.

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

O Vilarejo

Neste vilarejo as pessoas vivem em paz. É um vilarejo de casas, o céu está sempre aberto e radiante, faça chuva ou faça sol, transportando o ar puro e fluido da atmosfera. Os jardins das casas se complementam harmoniosamente, criando uma paisagem bucólica e natural no entorno mais próximo, que é abraçado por bosques em todo o seu contorno. As pessoas que vivem lá sentem paz profunda, são bem humoradas, brincam como crianças e respeitam a todos, como é próprio da maturidade que se desenvolveu com amor. Todo o desenvolvimento do vilarejo é auto-sustentável. Os habitantes plantam seus próprios alimentos, cuidam de suas casas, de suas famílias e do ambiente natural com carinho; trabalham na realização das coisas que lhes trazem gratificação, sem que precisem para isso entrar em concorrência com seus vizinhos, porque cada um trabalha de acordo com sua individualidade e oferece um trabalho único. O bem individual, amparado no auto-respeito e na generosidade, na igualdade, na fraternidade pelo respeito do próximo, gera naturalmente um bem comum. As pessoas nesse lugar não cultivam expectativas e, por isso, não sofrem decepções. Essas pessoas são conscientes de que compartilham um tempo e um lugar, e dão o que há de melhor em si aos outros e à vida. Elas estão focadas no bem.

A pergunta é: sabendo da exitência desse lugar, você abriria mão de tudo o que tem e vive hoje para se tornar um habitante do vilarejo?

domingo, 30 de setembro de 2007

Torna-te o que és

[dani cavalheiro]

O conceito de normalidade enquadra-se na teoria de Einstein: “Tudo é relativo”. Aquilo que é normal para você pode causar estranheza a mim: valores, rotinas, escolhas, posicionamentos. Apesar de estarmos cônscios de que somos indivíduos, a sociedade não presume que exerçamos essa singularidade.

O drama existencial é tema central tanto em âmbito filosófico quanto popular. Munido de sua consciência, o homem, em sua integração social, reprimiu paulatinamente a expressão de suas vontades fundamentais. Em território em que muitos “precisam” privar-se de uma vida digna em “benefício do todo”, da ordem, a frustração com tamanha contraditoriedade é a única certeza. Dogmas seculares estão incrustrados no inconsciente coletivo. As leis de convivência social nunca deram margem à espontaneidade, e as conseqüências de tamanha distorção da natureza humana é atestada pela procura desenfreada por psicólogos e terapeutas.

Em última instância, a questão sempre foi a mesma: “o que eu devo fazer aqui?” Quando o indivíduo entende que as respostas do sistema imposto não satisfazem suas aspirações, então ele vai além; e ainda que a crise de “identidade” seja uma fase de turbulências, a solução mais simples e direta foi elucidada, quatro séculos antes de Cristo, por Píndaro: “Homem, torna-te o que és!”. Hoje vemo-nos em meio a um movimento de resgate daquilo que somos, a despeito de qualquer imposição moral, política ou religiosa e o conceito de “normalidade” revela-se inoperante.

Neste ínterim de transformações perceptivas, a evolução do paradigma acarretaria um crescimento positivo com a substituição do “normal” pelo “natural”. A diversidade advinda desse novo posicionamento nos colocaria em conformidade com a riqueza da própria natureza, cuja harmonia intrínseca está presente em cada uma de nossas individualidades.

Conselho de amiga


"...se alimente bem, mente e corpo, e estarás em paz e alegre pra curtir a vida... o que vier será retorno do teu pensamento positivo e serenidade".

sábado, 29 de setembro de 2007

Zorba, o Buda

O REBELDE - A Grande Síntese
Osho - Do Livro: O Rebelde - Editora Gente

MEU REBELDE, MEU novo homem, é Zorba o Buda. A humanidade tem acreditado ou na realidade da alma e na ilusoriedade da matéria, ou na realidade da matéria e na ilusoriedade da alma. Você pode dividir a humanidade do passado em espiritualistas e materialistas, mas ninguém se preocupou em olhar para a realidade do homem.

Ele é ambos, simultaneamente. Ele não é apenas espiritualidade - ele não é apenas consciência - nem é apenas matéria. Ele é uma tremenda harmonia entre matéria e consciência. Ou talvez a matéria e a consciência não sejam duas coisas, mas somente dois aspectos de uma realidade: matéria é o exterior da consciência e consciência é a interioridade da matéria. Mas não houve um único filósofo, sábio ou místico religioso do passado que tenha declarado essa unidade; todos eles estavam a favor de dividir o homem, chamando um lado de real e o outro lado de irreal. Isso tem criado uma atmosfera esquizofrênica em todo o planeta.

Você não pode viver apenas como um corpo. Isso é o que Jesus quer dizer quando declara: "Nem só de pão vive o homem" - mas essa é somente meia verdade. Você não pode viver apenas como consciência; você não pode viver sem o pão. Você tem duas dimensões em seu ser e ambas as dimensões devem ser satisfeitas, devem receber iguais oportunidades de crescimento. Mas o passado tem sido ou a favor de uma e contra a outra, ou a favor da outra e contra a primeira. O homem não tem sido aceito como uma totalidade.

Isso tem criado infelicidade, angústia e uma tremenda escuridão, uma noite que tem durado milhares de anos, que parece não ter fim. Se você escuta o corpo, você se condena; se você não escuta o corpo, você sofre fica faminto, fica pobre, fica sedento. Se você escutar somente a consciência, o seu crescimento será desigual; sua consciência crescerá, mas seu corpo definhará e o equilíbrio será perdido. E no equilíbrio está a sua saúde, no equilíbrio está a sua totalidade, no equilíbrio está a sua alegria, está a sua canção, está a sua dança.

O Ocidente escolheu escutar o corpo, e tornou-se completamente surdo em relação à realidade da consciência. O resultado final é uma ciência notável, uma tecnologia notável, uma sociedade afluente, uma riqueza nas coisas mundanas; e no meio de toda esta abundância, um homem pobre, sem uma alma, completamente perdido - não sabendo quem ele é, não sabendo porque ele é, sentindo-se quase como um acidente ou um capricho da natureza. A menos que a consciência cresça com a riqueza do mundo material, o corpo - a matéria - torna-se pesado demais e a alma torna-se fraca demais. Você está demasiadamente oprimido pelas suas próprias invenções, pelas suas próprias descobertas. Ao invés de criarem uma bela vida para você, elas criam uma vida que é sentida, por toda a intelligentsia do Ocidente, como indigna de ser vivida.

O Oriente escolheu a consciência, e tem condenado a matéria e tudo que seja material - inclusive o corpo - como "maya", como ilusório, como uma miragem em um deserto, a qual tem apenas aparência, mas que não tem realidade em si mesma. O Oriente criou um Gautama Buda, um Mahavira, um Patanjali, um Kabir, um Farid, um Raidas - uma longa linha de pessoas com grande consciência, com grande sabedoria. Mas também criou milhões de pessoas pobres, famintas, em inanição, morrendo como cachorros - sem comida suficiente, sem água para beber, sem roupas suficientes, sem abrigos suficientes.

Uma situação estranha... No Ocidente, a cada seis meses eles têm que jogar produtos lácteos e outros alimentos no oceano, no valor de bilhões e bilhões de dólares, em virtude da superprodução - e eles não querem superlotar seus depósitos, não querem baixar seus preços e destruir sua estrutura econômica. Por um lado, mil pessoas estavam morrendo por dia na Etiópia, e ao mesmo tempo o Mercado Comum Europeu estava destruindo tanta comida que o custo desta destruição era de dois bilhões de dólares. Esse não é o preço do alimento, mas sim o preço de levá-lo e jogá-lo no oceano. Quem é responsável por essa situação?

O homem mais rico do Ocidente está procurando por sua alma e se sente vazio, sem nenhum amor, somente cobiça; sem nenhuma oração, somente repetindo como papagaio palavras que lhe foram ensinadas nas escolas dominicais. Sem nenhuma religiosidade - sem sentimentos para com outros seres humanos, sem reverência pela vida, pelos pássaros, pelas árvores, pelos animais - a destruição é muito fácil. Hiroshima e Nagasaki não teriam acontecido se o homem não fosse concebido apenas como matéria. Tantas armas nucleares não teriam sido armazenadas se o homem fosse concebido como um Deus oculto, um esplendor oculto, não para ser destruído, mas para ser descoberto; não para ser destruído, mas para ser trazido à luz - um templo de Deus. Mas se o homem é apenas matéria, apenas química, física, um esqueleto coberto de pele, então, com a morte tudo morre, nada permanece. E por isso que se torna possível para um Adolf Hitler matar seis milhões de pessoas, sem hesitação. Se as pessoas são apenas matéria, não há porque pensar duas vezes.

O Ocidente perdeu sua alma, sua interioridade. Cercado por insignificâncias, pelo tédio, pela angústia, ele não está se encontrando. Todo o sucesso da ciência tem provado ser inútil, porque a casa está cheia de tudo, mas o dono da casa está faltando. Aqui no Oriente, o dono está vivo, mas a casa está vazia. É difícil estar alegre com os estômagos vazios, com os corpos doentes, com a morte à sua volta; é impossível meditar. Assim, temos sido desnecessariamente perdedores. Todos nossos santos e todos nossos filósofos - espiritualistas e materialistas, ambos - são responsáveis por esse imenso crime contra o ser humano.

Zorba o Buda é a resposta.

Ele é a síntese da matéria e da alma. Ele é uma declaração de que não existe conflito entre a matéria e a consciência, de que podemos ser ricos em ambos os sentidos: podemos ter tudo que o mundo pode oferecer, que a ciência e a tecnologia podem produzir, e ainda podemos ter tudo que um Buda, um Kabir, um Nanak encontra em seu ser interior - as flores do êxtase, a fragrância da divindade, as asas da liberdade suprema.

Zorba o Buda é o novo homem, é o rebelde.

Sua rebelião consiste em destruir a esquizofrenia do homem, destruir a divisão - destruir a espiritualidade como contrária ao materialismo e destruir o materialismo como contrário à espiritualidade. Ele é um manifesto de que o corpo e a alma estão juntos, de que a existência está repleta de espiritualidade, de que até mesmo as montanhas estão vivas, de que até mesmo as árvores são sensitivas, de que a existência inteira é ambas... ou talvez uma única energia expressando-se de duas maneiras - como matéria e como consciência. Quando a energia está purificada, ela se expressa como consciência; quando a energia está crua, não purificada, densa, ela se manifesta como matéria. Mas a existência inteira nada mais é do que um campo de energia. Essa é a minha experiência - não minha filosofia. E isso é confirmado pela física moderna e suas pesquisas: a existência é energia.

Podemos permitir ao homem ter os dois mundos, simultaneamente. Ele não precisa renunciar a este mundo para obter o outro, tampouco ele tem que negar o outro mundo para usufruir deste. Na verdade, ter somente um mundo, sendo você capaz de ter ambos, é ser desnecessariamente pobre. Zorba o Buda é a mais rica possibilidade. Ele viverá a sua natureza ao seu máximo. Ele cantará canções desta terra. Ele não trairá a terra e também não trairá o céu. Ele reivindicará tudo o que a terra tem - todas as flores, todos os prazeres - e também reivindicará todas as estrelas do céu. Ele reivindicará a existência inteira como seu lar. O homem do passado era pobre porque ele dividia a existência; o novo homem, meu rebelde, Zorba o Buda, reivindica o mundo inteiro como seu lar. Tudo o que ele contém é para nós, e temos que usá-lo de todas as formas possíveis - sem culpa, sem conflito, sem escolha. Sem escolher, desfrute tudo o que a matéria é capaz de oferecer, e aprecie tudo o que a consciência é capaz de oferecer.

Seja um Zorba, mas não pare aí.

Continue movendo-se para tomar-se um Buda. Zorba é a metade, Buda é a metade. Existe uma história antiga. Em uma floresta, perto de uma cidade moravam dois mendigos. Obviamente eles eram inimigos um do outro, como todos os profissionais são - dois médicos, dois professores, dois santos. Um era cego e o outro era aleijado, e ambos eram muito competitivos; o dia inteiro eles estavam competindo entre si na cidade. Mas uma noite seus casebres pegaram fogo, porque toda a floresta estava em chamas. O cego podia sair correndo, mas ele não podia ver para onde correr, ele não podia ver aonde o fogo não havia se espalhado ainda. O aleijado podia ver que ainda havia possibilidades de escapar do fogo, mas ele não podia correr - o fogo estava muito forte, muito selvagem - assim, o aleijado podia apenas ver sua morte se aproximando. Ambos compreenderam que precisavam um do outro. O aleijado teve uma repentina compreensão: "O outro homem pode correr, o cego pode correr e eu posso vem". Eles esqueceram toda a sua competição. Em um momento tão crítico, quando ambos estão encarando a morte, necessariamente se esquece toda a estúpida inimizade. Eles criaram uma grande síntese; eles concordaram que o cego carregaria o aleijado em seus ombros e eles funcionariam como um único homem - o aleijado pode ver e o cego pode correr. Eles salvaram suas vidas. E porque cada um salvou a vida do outro, eles se tomaram amigos; pela primeira vez deixaram de lado seu antagonismo.

Zorba é cego - ele não pode ver, mas ele pode dançar, pode cantar, pode celebrar. O Buda pode ver, mas ele pode somente ver. Ele é pura visão apenas claridade e percepção - mas ele não pode dançar, está aleijado; não pode cantar, não pode celebrar. Está na hora. O mundo está pegando fogo; a vida de todos está em perigo. O encontro de Zorba e Buda pode salvar a humanidade inteira. Este encontro é a única esperança. Buda pode contribuir com consciência, claridade, olhos para ver além, olhos para ver aquilo que é quase invisível. Zorba pode dar todo o seu ser à visão de Buda - e não a deixe permanecer apenas uma visão seca, mas faça-a um estilo de vida dançante, celebrativo, extático.

O embaixador de Sri Lanka escreveu uma carta para mim dizendo que eu deveria parar de usar as palavras "Zorba o Buda"... porque Sri Lanka é um país budista. Ele disse: "É uma ofensa aos nossos sentimentos religiosos esta sua mistura de estranhas pessoas, Zorba e Buda". Eu escrevi a ele: "Talvez você não entenda o fato de que Buda não é propriedade pessoal de ninguém, e Buda não é necessariamente o Gautama Buda que vocês têm adorado por milhares de anos em seus templos. Buda simplesmente significa "o acordado". É um adjetivo; não é um nome pessoal. Jesus pode ser chamado o Buda; Mahavira era chamado, nas escrituras jainas, o Buda; Lao Tzu pode ser chamado um Buda - qualquer um que seja iluminado é um Buda. A palavra Buda simplesmente significa "o acordado". Ora, acordar não é propriedade de ninguém; todos que podem dormir, podem também acordar. Isso é natural, lógico, conseqüente - se você é capaz de dormir, você é capaz de acordar. Zorba está dormindo; portanto ele tem a capacidade de estar acordado. Assim, por favor, não fique desnecessariamente enraivecido, furioso. Eu não estou falando sobre o seu Gautama Buda; eu estou falando sobre a pura qualidade de estar acordado. Eu o estou usando somente como um símbolo".

Zorba o Buda simplesmente significa um novo nome para um novo ser humano, um novo nome para uma nova era, um novo nome para um novo começo.Ele não respondeu. Até mesmo as pessoas que possuem postos de embaixadores são completamente ignorantes, estúpidas. Ele pensou que estava escrevendo uma carta muito significativa para mim, sem ao menos entender o significado de Buda. Buda não era o nome de Gautama. Seu nome era Gautama Sidarta. Buda não era o seu nome - o nome dado por seus pais era Gautama Sidarta. Sidarta era o seu nome, Gautama era o seu sobrenome. Ele é chamado de Buda porque despertou; de outra forma, ele era também um Zorba. Qualquer um que não esteja acordado é um Zorba.

Zorba é um personagem fictício, um homem que acreditava nos prazeres do corpo, nos prazeres dos sentidos. Ele desfrutava a vida ao seu máximo, sem se preocupar com o que iria acontecer a ele na próxima vida - se iria para o céu ou seria jogado no inferno. Ele era um pobre servente; seu patrão era muito rico, mas muito sério - com a cara amarrada, muito britânico. Em uma noite de lua cheia... Eu não sou capaz de esquecer o que ele disse ao seu patrão. Ele estava em sua cabana; foi para fora, com o seu violão estava indo dançar na praia - e convidou o patrão. Ele disse: "Patrão, somente uma coisa está errada em você - você pensa demais. Vamos! Esta não é hora de pensar; a lua está cheia, e todo o oceano está dançando. Não perca este desafio". Ele arrastou o patrão pelo braço. Seu patrão tentou resistir, porque Zorba era absolutamente maluco, ele costumava dançar na praia todas as noites! O patrão estava sentindo-se embaraçado - e se alguém chegar e ver que ele está acompanhando Zorba? E Zorba não estava somente convidando seu patrão a ficar ao seu lado; ele estava convidando-o a dançar! Vendo a lua cheia, e o oceano dançando, e as ondas, e Zorba cantando com seu violão, subitamente o patrão começou a sentir uma energia em suas pernas que nunca havia sentido antes. Encorajado e persuadido, finalmente ele entrou na dança, a princípio relutantemente, olhando em volta, mas não havia ninguém na praia no meio da noite. Então ele esqueceu tudo sobre o mundo e começou - tornou-se um com Zorba-o-dançarino, e o Oceano-o-dançarino, e a Lua-a-dançarina. Tudo se desvaneceu. Tudo se tomou uma dança.

Zorba é um personagem fictício e Buda é um adjetivo para qualquer um que abandone seu sono e se tome acordado. Nenhum budista precisa se sentir ferido.Eu estou dando a Buda a energia para dançar, e eu estou dando a Zorba os olhos para ver, além dos céus, os longínquos destinos da existência e da evolução.
Meu rebelde não é outro senão Zorba o Buda.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Daqui a pouco já é Natal...

A cada dia que passa os dias ficam mais curtos... e como eu costumo dizer em qualquer dia do ano: "daqui a pouco já é Natal..."...o tempo é mesmo uma arte.
"A legislação toma o lugar do prazer, do livre-arbítrio" - como já nos disse Valum Votan.
Para traduzir a velocidade insana na qual vivemos hoje, transcrevo aqui um dos meus autores preferidos...



EXIGÊNCIAS DA VIDA MODERNA?
[Luís Fernando Veríssimo ]

Dizem que todos os dias você deve comer uma maçã por causa do ferro.E uma banana pelo potássio.E também uma laranja pela vitamina C.Uma xícara de chá verde sem açúcar para prevenir a diabetes. Todos os dias deve-se tomar ao menos dois litros de água. E uriná-los, o que consome o dobro do tempo.Todos os dias deve-se tomar um Yakult pelos lactobacilos, queninguém sabe bem o que é, mas que aos bilhões, ajudam a digestão.Cada dia uma Aspirina, previne infarto. Uma taça de vinho tinto também.Uma de vinho branco estabiliza o sistema nervoso.Um copo de cerveja para não lembro bem o que faz, mas faz bem.O benefício adicional é que se você tomar tudo isso ao mesmo tempo e Tiver um derrame, nem vai perceber.Todos os dias deve-se comer fibra.Muita, muitíssima fibra.Fibra suficiente para fazer um pulôver.Você deve fazer entre quatro e seis refeições leves diariamente. E nunca se esqueça de mastigar pelo menos cem vezes cada garfada.Só para comer, serão cerca de cinco horas do dia.E não esqueça de escovar os dentes depois de comer.Ou seja, você tem que escovar os dentes depois da maçã, da banana, Da laranja, das seis refeições e enquanto tiver dentes, passar fioDental, massagear a gengiva, escovar a língua e bochechar com Plax.Melhor, inclusive, ampliar o banheiro e aproveitar para colocar um Equipamento de som, porque entre a água, a fibra e os dentes, você Vai passar ali várias horas por dia.Há que se dormir oito horas por noite e trabalhar outras oito porDia, mais as cinco comendo são vinte e uma. Sobram três, desde que você não pegue trânsito.As estatísticas comprovam que assistimos três horas de TV por dia. Menos você, porque todos os dias você vai caminhar ao menos meiaHora (por experiência própria, após quinze minutos dê meia volta e Comece a voltar, ou a meia hora vira uma).E você deve cuidar das amizades, porque são como uma planta: devem Ser regadas diariamente, o que me faz pensar em quem vai cuidarDelas quando eu estiver viajando. Deve-se estar bem informado também, lendo dois ou três jornais porDia para comparar as informações.Ah! E o sexo. Todos os dias, tomando o cuidado de não se cair na rotina.Há que ser criativo, inovador para renovar a sedução. Isso leva tempo e nem estou falando de sexo tântrico.Também precisa sobrar tempo para varrer, passar, lavar roupa, pratos E espero que você não tenha um bichinho de estimação.Na minha conta são 29 horas por dia. A única solução que me ocorre é fazer várias dessas coisas ao mesmoTempo!!!Tomar banho frio com a boca aberta, assim você toma água e escova os Dentes enquanto faz sexo.Sobrou uma mão livre? Chame os amigos e seus pais.Beba o vinho, coma a maçã e dê a banana na boca da sua mulher.Ainda bem que somos crescidinhos, senão ainda teria um Danoninho e Se sobrarem 5 minutos, uma colherada de leite de magnésio.Agora tenho que ir.É o meio do dia, e depois da cerveja, do vinho e da maçã, tenho que ir ao banheiro.E já que vou, levo a escova de dentes.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

"Se não é divertido, não faça!"

sábado, 25 de agosto de 2007

Mude

[Clarice Lispector]

...mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade.
Sente-se em outra cadeira, no outro lado da mesa.
Mais tarde, mude de mesa.
Quando sair, procure andar pelo outro lado da rua.
Depois, mude de caminho, ande por outras ruas,
calmamente, observando com atenção os lugares por onde você passa.
Tome outros ônibus.
Mude por uns tempos o estilo das roupas.
Dê os teus sapatos velhos.
Procure andar descalço alguns dias.
Tire uma tarde inteira para passear livremente na praia,
ou no parque, e ouvir o canto dos passarinhos.
Veja o mundo de outras perspectivas.
Abra e feche as gavetase portas com a mão esquerda.
Durma no outro lado da cama...
depois, procure dormir em outras camas.
Assista a outros programas de tv compre outros jornais...
leia outros livros, viva outros romances.
Não faça do hábito um estilo de vida.
Ame a novidade.
Durma mais tarde.
Durma mais cedo.
Aprenda uma palavra nova por dia numa outra língua.
Corrija a postura.
Coma um pouco menos, escolha comidas diferentes,
novos temperos, novas cores, novas delícias.
Tente o novo todo dia.
O novo lado, o novo método, o novo sabor,
o novo jeito, o novo prazer, o novo amor.
A nova vida.
Tente.
Busque novos amigos.
Tente novos amores.
Faça novas relações.
Almoce em outros locais,
vá a outros restaurantes,
tome outro tipo de bebida,
compre pão em outra padaria.
Almoce mais cedo, jante mais tarde ou vice-versa.
Escolha outro mercado...
outra marca de sabonete,
outro creme dental...
tome banho em novos horários.
Use canetas de outras cores.
Vá passear em outros lugares.
Ame muito, cada vez mais,
de modos diferentes.
Troque de bolsa, de carteira,
de malas, troque de carro,
compre novos óculos,
escreva outras poesias.
Jogue os velhos relógios,
quebre delicadamente esses
horrorosos despertadores.
Abra conta em outro banco.
Vá a outros cinemas, outros cabeleireiros,
outros teatros, visite novos museus.
Mude.
Lembre-se de que a Vida é uma só.
E pense seriamente em arrumar um outro emprego,
uma nova ocupação, um trabalho mais light,
mais prazeroso, mais digno, mais humano.
Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as.
Seja criativo. E aproveite para fazer uma viagem despretensiosa,
longa, se possível sem destino.
Experimente coisas novas.
Troque novamente.
Mude, de novo.
Experimente outra vez.
Você certamente conhecerá coisas melhores
e coisas piores do que as já conhecidas,
mas não é isso o que importa.
O mais importante é a mudança,
o movimento,
o dinamismo,
a energia.
Só o que está morto não muda !
Repito por pura alegria de viver:
a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não
vale a pena!!!